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Que tipo de estratégia é a difração?

Donna Haraway: “Primeiro ela é uma metéfora ótica, como espelhamento, mas ela traz consigo mais dinamismo e potência. Padrões d difração se referem a uma história heterogênea, não a originais. Diferentement de reflexões especulares, difrações não deslocam o mesmo para outro lugar. A difração é uma metéfora para um tipo de consciência crítica no final deste milênio cristão bastante doloroso, empenhada em fazer uma diferença e não em repetir a Sagrada Imagem do Mesmo. Interesso-me pela maneira como padrões de difração registram a história da interação, interferência, reforço e diferença. Nesse sentido, “difração” é uma tecnologia narrativa, gráfica, psicológica, espiritual e política para produzir sentidos consequenciais. Por essas razões, eu fecho Modest Witness com o argumento “gráfico” de Lynn Randolph – sua pintura Diffraction [Difração] (1992).”

Thyrza Nichols Googeve: Sendo a “difração” um fenômeno ótico, descreva a diferença entre ela e a reflexão.

DH: “Bem, de início existem certas piadas envolvendo o uso do termo “difração” nesse contexto. Uma corrente do feminismo norte-americano desenfatiza – ou mesmo anatematiza – os olhos e o processo visual e ressalta o oral e o tátil. O especular está sempre sob suspeita. “Espetáculo”, “especular”, “espetacular”, “especulando” são codificados como branco, masculino, poderoso, extraterrestre, cheio de dominação, nhem-nhem-nhem [cai na gargalhada].”

TNG: Entendo o que quer dizer a partir da teoria feminista do cinema.

DH: “E então codificado em termos do problema da cópia e do original, o processo de visão sempre envolve um perder de vista aquilo que se vê. É o mesmo ou foi deslocado para outro lugar? É a cópia realmente uma cópia do original? Se você tem uma reflexão e a imagem é deslocada para outro lugar, ela é tão boa quanto a original? Todas essas teológicas da representação estão enraizadas profundamente num sistema tropológico que enfatiza a visão. Volte ao platonismo, ao evangelho de João, ao Iluminismo. E feministas têm, em parte, reagido a essa herança na qual a luz é fortemente patriarcal – movendo do corpo escuro escuro da mulher para a luz do Pai. Portanto, não é surpreendente que muitos trabalhos feministas enfatizem diferentes sistemas tropológicos, especialmente o oral, aural e tátil. Bom. Não tenho problemas com isso a não ser quando se torna dogmático, quando os olhos são proibidos. Metáforas visuais são muito interessantes. Eu não vou abandoná-las assim como não vou abandonar a democracia, a soberania, a agência, e todas essas heranças poluídas. Acho que a maneiras como eu trabalho é tomando minha própria herança poluída – o ciborgue é uma delas – e tentando retrabalhá-la. O mesmo ocorre com metáforas óticas; eu pego sistemas tropológicos que eu herdei e tento fazer algo com eles que vá contra a corrente. De certa forma, é simplista.”pp. 119-20.

Revista Nada, Maio, n 11, 2008

Org. Pedro Peixoto Ferreira & Emerson Freire