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Antigua e Barbuda avançam rumo ao século XXI!

Hoje a Organização Mundial do Trabalho autorizou Antigua e Barbuda a não pagarem os direitos de autor aos EUA, no momento em que o país pretende lançar um portal de venda de filmes, cds e jogos.

El Gobierno de Antigua y Barbuda está planeando lanzar un sitio web de venta de películas, música y software, sin tener que pagar a los titulares de derechos de autor de Estados Unidos. La isla caribeña está dando un paso sin precedentes, ya que si Estados Unidos se niega a levantar el “bloqueo” comercial sobre empresas de servicios de apuestas y juegos de azar del país isleño, el gobierno de éste último pondrá en marcha el portal.” [1]

“Estos esfuerzos agresivos para cerrar la industria del juego remoto en Antigua ha resultado en la pérdida de miles de empleos bien remunerados y la incautación por parte de los estadounidenses de miles de millones de dólares pertenecientes a los operadores de juegos de azar y sus clientes en instituciones financieras en todo el mundo”, declaró Lowell . [2]

O portal especializado em Propriedade Intelectual assim resume a peleia:

Depois de anos de negociações frustradas entre as nações, a Organização Mundial do Comércio deu à Antigua e Barbuda o direito de impor sanções contra os EUA sobre o bloqueio aos jogos online” [3].

O Direito Autoral no séc XXI

E a nova ministra da cultura, Marta Suplicy, acaba de convidar Márcio Souza para voltar ao cargo que ocupara durante as gestões Gil/Juca do governo Lula, à frente da pasta do direito autoral. Em meio às expectativas, parece ser novamente o momento de diferenciar os argumentos “flexíveis”, que retomam a autoria do indivíduo, separado da técnica, tentando evitar a implosão do modelo proprietário face às novas ferramentas de compartilhamento e anonimato que se multiplicam na Internet.

Ainda não terminei de traduzir o excelente post sobre O Preço da Produção Intelectual que, entre outros, aponta a chegada de um momento onde começamos a nos dar conta de que “não existe mais uma retribuição material sólida para a produção intelectual” (” l’on commence à réaliser qu’il n’y a plus vraiment de rétribution matérielle solide pour les productions intellectuelles.”

A Lei sobre Cibercrimes nas Filipinas

Publicado originalmente em 9/10/2012: Reporters Sans Frontières.

Em 9 de Outubro de 2012, o Supremo Tribunal das Filipinas suspendeu a aplicação do “Cybercrime Prevention Act 2012” (Lei n º 10.175 República), por unanimidade depois de receber uma dúzia de petições pedindo para que se pronunciasse sobre a validade a lei. Repórteres Sem Fronteiras considera que as alterações no texto desde a suspensão da lei não são suficientes, e pedem sua revogação pura e simples. Sob o pretexto da luta legítima contra a cibercriminalidade, a proposta representa uma ameaça real à liberdade de informação. De fato, a lei incluiu no último minuto a difamação na internet entre os “crimes cibernéticos”. A organização lamenta que as autoridades tenham faltado com a transparência e não tenham consultado adequadamente a sociedade civil no processo de elaboração deste documento.

A ordem de suspensão (liminar) emitida pelo Tribunal vale por 120 dias. As primeiras audiências para analisar se certas disposições da lei violam as liberdades civis serão realizadas a partir de 15 de janeiro de 2013.

Em 09 de outubro, manifestantes se reuniram em frente ao Tribunal e chamadas para um boicote via Internet foram lançados em protesto contra a lei. Desde abril de 2012, ativistas locais e grupos de mídia expressam suas preocupações sobre as liberdades online, e realizam campanhas de mobilização. Repórteres sem Fronteiras expressou sua preocupação sobre a falta de clareza na definição do que seja difamação na Internet, tornando qualquer usuário potencialmente passível de acusação.

Muitas perguntas se colocam:

  • Um simples “gostei” no Facebook ou um comentário on-line julgado difamatório pode resultar em processo judicial? Assim como o fato de retuitar este tipo de conteúdo?
  • Um comentário difamatório em um blog postado por um visitante resultará na responsabilização do autor do blog?
  • No caso de autor anônimo, os provedores de acesso e intermediários técnicos serão julgados responsáveis por conteúdos incriminatórios, como ocorreu recentemente no Brasil? Serão então forçados a tomar medidas de vigilância intrusiva para identificar os Internautas a processar?

Nas Filipinas, a difamação é considerada um crime de responsabilidade penal e passível de prisão por até quatro anos e multa de 200 a 6.000 pesos (artigo 355 do Novo Código Penal de 8 de dezembro de 1930 (RPC)). Aplicado à Internet, as penalidades podem ser de até 12 anos de prisão e 1 milhão de pesos de multa (cap. III sec. 8, Lei n º 10.175). Os temores de um potencial abuso parecem justificados face às práticas de alguns políticos e outras figuras públicas que vêm, sistemática e continuamente, processando jornalistas e veículos de mídia por difamação nos últimos anos, para incentivá-los à auto-censura.

Promulgada pelo presidente Benigno Aquino III em 12 de setembro de 2012, a “Cybercrime Prevention Act 2012” tem como objetivo “incentivar o uso do ciberespaço” “protegendo os usuários contra o abuso e o mau uso”, disse um dos fervorosos defensores da lei, o senador Edgardo Angara.

No entanto, de acordo com os internautas citados pelo Global Voices, a inclusão da difamação na internet é um “copy-paste absurdo” que não se encaixa na internet, e que poderia abrir a porta para abusos. Os artigos repetem quase palavra por palavra a definição de difamação do artigo 353 do novo Código Penal, acrescentando que o crime pode ser cometido através de meios eletrônicos.

As Filipinas, onde ocorreu o primeiro assassinato de um jornalista em 2012, na Ásia, continua a ser um dos países mais perigosos para os profissionais de mídia, e está na posição 140 de 179 países pesquisados ​​no ranking mundial de liberdade de imprensa, de acordo com Repórteres Sem Fronteiras 2011-2012.

Anonimozegratuitos em terras Argentinas

post humanism O tema das técnicas de reprodução assistida ainda é pouco conhecido, mesmo em uma capital onde os procedimentos técnicos da moderna biomedicina são tidos como os mais avançados. Ao propor a existência de um problema ético envolvendo a fabricação de filhos, não são apenas as transformações sobre a concepção natural do parentesco que ganham lugar, mas a possibilidade de descrever os desejos e necessidades que antes não existiam, mas hoje são compartilhados socialmente e viabilizados com altos investimentos financeiros. Se outrora as técnicas auxiliavam casais inférteis a realizarem seu sonho, hoje convive-se com a formação de famílias homossexuais, que rompem com um certo modelo natural, destacando-se ainda um outro modelo, que se impõe com a procriação monoparental, como no caso das mães solteiras que recorrem aos Bancos de Sêmen: ao projetar sua gravidez independente, muitas vezes se anseia por configurar sua cria mais perfeitamente, escolhendo cor de olhos e cabelo, podendo-se inclusive realizar o Diagnóstico Genético Pré-Implantacional, capaz de localizar aberrações cromossômicas e excluir os embriões dotados de genes conhecidamente causadores de doenças, como câncer de mama e ovário.

Na Argentina, onde existe uma filial do maior Banco de Sêmen do mundo, o CryoBank, faz pouco mais de um ano e meio, aprovaram uma lei que considera a infertilidade uma doença, (Ley 14208) devendo estar prevista em planos de saúde, onde ressalto os seguintes aspectos: ao considerar apenas os casos de infertilidade, a lei permite apenas a doação homóloga de sêmen, para concepção de um filho biológico de um casal heterossexual. Aprovada a lei, seguiu-se sua regulamentação –  o Decreto 2980 -, que estabelece o perfil da paciente, possuindo entre 30 e 40 anos, dando-se prioridade às mulheres que não tenham tido filhos em sua atual relação (ao que parece, supõe-se sempre apenas o interesse de um casal heterossexual).

post humanism A barriga de aluguel, ou a gestação solidária não estão previstas nas leis argentinas, mas um projeto apresentado em agosto de 2011 na Câmara dos Deputados visa legalizar a situação sob algumas normativas.

Uma das Clínicas mais conhecidas de Buenos Aires dedica um texto sobre “tratamiento” às madres solteras, amparando-se nas leis vigentes:

“Cada vez es mayor el número de mujeres solas que, por distintos motivos, eligen esta opción para ver realizado su deseo de ser madres.
En nuestro país, la anterior Ley 35/1988 ya permitía estos tratamientos a toda mujer indicando en su Exposición de Motivos que “…desde el respeto a los derechos de la mujer a fundar su propia familia en los términos que establecen los acuerdos y pactos internacionales garantes de la igualdad de la mujer, la Ley debe eliminar cualquier límite que socave su voluntad de procrear y constituir la forma de familia que considere libre y responsablemente”.
En el artículo 6 de la vigente Ley 14/2006 sobre Técnicas de Reproducción Humana Asistida se indica que: “Toda mujer mayor de 18 años y con plena capacidad de obrar podrá ser receptora o usuaria de las técnicas reguladas en esta Ley, siempre que haya prestado su consentimiento escrito a su utilización de manera libre, consciente y expresa.
La mujer podrá ser usuaria o receptora de las técnicas reguladas en esta Ley con independencia de su estado civil y orientación sexual.”

Embora tudo se passe de forma a assegurar direitos, ao promover a seleccion fenotipica, a seleccion genetica, não se trata de curar a infertilidade, mas de promover um acoplamento humano-máquina que torna indistinto campos antes bem delimitados como cultura e tecnologia. O direito de personalidade consta entre os fundamentos constitucionais de inúmeros países, mas se converte em letra morta face ao desenvolvimento das TRA junto ao modelo tecnocientífico capitalista. Por fim, um novo mercado de produtos humanos se estabelece sob a justificativa da infertilidade, por vezes apresentando o argumento da melhoria da saúde, mas ainda evitando enfrentar a ruptura ontológica que permeia o trabalho técnico sobre o surgimento de novos seres, desprovidos de nome paterno, ou conhecimento sobre sua origem genética.

Em 6 de julho último, a província de Santa Fé aprovou “uma sanción para la ley de infertilidad“, considerando-a uma enfermidade e prevendo seu atendimento como servico de saúde.

Em um artigo publicado na Internet, em agosto de 2012, cujo título é “Donacion de Semen: el padre, un debate pendiente“, trata-se do aumento do uso das técnicas de reprodução assistida no Ocidente, onde proliferam sem qualquer limite legal.

“Sólo en España, el número de mujeres que acuden a un centro en busca de esperma de donante se quintumplicó. En Argentina, si bien no hay datos que alumbren el fenómeno, las clínicas coinciden en un mismo diagnóstico. Las consultas por espermodonación crecieron del 10% al 30% en apenas cinco años, y cada vez más mujeres solas y parejas lesbianas recurren a esta opción. “

post humanism

projeto de lei na argentina
art mexico 2011
lei na col^mbia (1998)

Post Humanism

Donación de esperma

Manifestação Contra a Rede Globo

  • sábado, 17 de Março de 2012
  • 12:00 até 16:00
  • No Rio de janeiro
    Rua Von Martius, 22 – Jardim Botânico
    Concentração: Jardim botânico esquina Pacheco Leão, ponte de tábuas.

    SÃO PAULO: http://www.facebook.com/events/331444253567180/
    BELO HORIZONTE: http://www.facebook.com/events/392487284101936/?context=create
    SALVADOR: http://www.facebook.com/events/236597586429663/

    Objetivos

    • Curto prazo: Iniciar um processo de desmistificação desta emissora (e da grande mídia em geral) como fonte confiável de informação para a população;

    • Médio e longo prazo: fazer deste protesto apenas o primeiro de muitos, em conjunto com os diversos movimentos e coletivos do país, para forçar os grandes grupos da mídia a pautarem suas diretrizes pela ética e imparcialidade jornalística.

    Diretrizes

    • Protesto Apartidário: Para que a mídia não rotule e desqualifique a manifestação;

    • Os coletivos e pessoas autônomas que participarem terão autonomia para utilizarem quaisquer recursos que julgarem interessantes para alcançar os objetivos do protesto.

A Mídia Livre e o Comum

Faz dois dias, publicaram no site da Universidade Nômade um artigo interessante intitulado “O Comum e a Exploração 2.0”.

O texto inicia com uma crítica ao III Fórum de Mídias Livres, assumindo sua organização como diferente das outras duas edições, onde “não só [se] debateu horizontalmente, como [se] contribuiu para a formulação de uma frente transversal de construção para as novas mídias livres e/ou redes colaborativas. O que se traduziu, por exemplo, na política dos Pontos de Mídia Livre”. Já esse último Fórum teria sido um evento “pré-formatado e pré-pautado”.
 
 
Não sei quanto a vocês, mas se vou a um evento, gostaria sim de saber previamente qual o formato (mesas de discussão, desconferência, rodas, oficinas…) e, claro, ter os assuntos a serem debatidos previamente publicados: trata-se de organização, não imposição como quer fazer parecer o texto. Ademais, os temas escolhidos contemplaram discussões correntes em várias listas e buscaram dar vazão às diferentes experiências de democratização da comunicação, abrangendo desde a luta tradicional por acesso e produção de conteúdo independente à emergente convergência que um protocolo técnico de redes pode possibilitar para o trabalho colaborativo. O debate aconteceu pra quem esteve lá, e também foi transmitido parcialmente pela Internet.
 
 
O artigo segue citando um email “vazado” de uma liderança do coletivo Fora do Eixo para acusar a organização do III FML de “centralizadora”. Contesta a legitimidade do Grupo de Trabalho Executivo de Mídia Livre estabelecido no último fórum, a ausência de comunicação em uma lista de discussão (forum-de-midia-livre@googlegroups.com) e a participação de Pontos de Cultura e hackers na construção do encontro como determinantes para ter “camufladas a hierarquização e a fragmentação por meio da mística do consenso”… Críticas contundentes que até surgiram no espaço do III FML, mas jamais fizeram parte da referida lista de “midialivristas” que, na verdade, não funciona, não promove debate algum, nem recebe ou recebeu qualquer contribuição dos “intelectuais” da Universidade Nômade para a “construção da mídia livre no Brasil”. Se houve esvaziamento da interface burocrática Estado-Mídias Livres, talvez se devesse apontar as condições reais de que dispõem os “midialivristas” para utilizarem recursos públicos para se encontrarem e promoverem suas políticas. Tomar o resultado por origem do problema não me parece a melhor forma de análise sobre o III FML.
O texto é curioso: ataca a burocracia para burocratizar qualquer processo de constituição das mídias livres. Afirma: “Diante disso, vale a pena problematizar o estado do processo de constituição de “mídias livres” e mais em geral o movimento da “cultura” de resistência à restauração no MinC”. Mas afinal, de que mídia livre e que “cultura de resistência” estão falando?
A mídia livre, no Brasil, tem raízes espalhadas em cada canto onde funciona uma rádio livre ou comunitária sem concessão do Estado, lá onde se estão derrubando sites de prefeitura, onde tem um camelô ganhando o seu… A mídia livre que se constituiu como política pública não contempla 1% das  iniciativas de comunicação livre e compartilhamento de arquivos entre redes em plena operação no Brasil. E, ainda que autogeridas e autônomas, essas iniciativas pairam sobre os planos organizados de demandas enquanto Públic0-Não-Estatal, não havendo necessidade de qualquer tutela “intelectual” sobre o que é ou não a construção do comum para esses coletivos auto-determinados.  Tal como apresentada, a crítica ao modelo de organização de um evento como um Fórum – se baseada em “emails” pontuais vazados, e negando-se à participação em plenária, aberta e democrática – soa desonesta e imatura. O Fórum Mundial de Mídia Livre está previsto para acontecer no Rio e deve sim ter sua organização contaminada com os novos processos e lutas sociais, sem o quê estará se expondo à tomada súbita da palavra pelos que têm algo a dizer, direta e concretamente, sobre a forma que se propõe o evento e sobre o conteúdo do que realmente os coletivos/organizações querem colocar em disputa. Mas isso tudo na ágora, no falar de pronto, sob o impulso de quem se levanta (stand up), não como quem é acordado (wake up)…
O texto segue se propondo a criticar o Fora do Eixo, apresentando um debate já bastante conhecido entre as redes de ativismo anti-capitalista. Sob a máxima “quem tá junto tá junto” a forma “empreendedores 24h” seduz como uma alternativa (liberal) de vida, onde o reconhecimento e o crédito operam como nos velhos esquemas das pirâmides de negócio para acúmulo de poder. Mas até onde alcança a teoria crítica sobre esse tufão revolucionário?
Argumenta-se que  FdE é uma experiência radical de transformação do cotidiano, onde os coletivos organizados e autônomos têm mantido suas próprias residências coletivas, alimentação compartilhada, chegando mesmo a terem sua própria moeda de troca. Um processo aberto e em permanente construção cujo horizonte seria a emancipação e a busca de relações mais humanas entre as pessoas.
O caráter ambíguo do FdE, ao contrário das críticas que lhe são desferidas, pontuaria também uma possibilidade de atuar dentro do sistema capitalista almejando relações alternativas às capitalistas, o que poderia lhe conferir lastro em uma filosofia política da pirataria. Porém, de acordo com o texto, o futuro do “pós-rancor” é despolitizado quando se submete à velocidade mercadológica produtiva, valendo-se relações de exploração de trabalho voluntário para atribuir o que chamarei de identidade/pertencimento à forma dominante de socialidade no FdE. Mesmo autônomos, os coletivos locais reproduzem a mesma habilidade de gestão/improviso típicas da chamada nova cultura capitalista (R. Sennet), adaptando novas hierarquias que facilitam a incorporação desses valores como centrais em suas experiências compartilhadas. Verdadeiros “espertos ao contrário”, diria  Estamira, seu trabalho quer ser adaptado e resistente aos novos negócios capitalistas, mas talvez sujeito às mesmas mazelas de controle e submissão ao sistema produtor de desigualdades.
Em uma entrevista de 2008, Toni Negri afirma:
“quando dizemos que nos encontramos hoje em uma sociedade pós-moderna ou pós-fordista, estamos afirmando algo [bastante] preciso, a saber, que os meios de produção se modificaram, as formas de ação se transformaram, e que é necessário então desviar (détourner) as potências de resistência. Mas a primeira coisa a fazer nessa situação é aceitar essa realidade. Saímos da ilusão segundo a qual seria possível [p.565] modificar o mundo a partir da literatura, da tradição ou das formas sociais antigas. Essas novas formas de resistência, é preciso inventá-las. É preciso então desviar todos os instrumentos dos quais dispomos para esse fim.” (“Entretien avec Ton Negri”, Rev. Critique, 2008, 735-36, p.566).
Assim, ao assumir uma crítica aguda sobre a exploração 2.0, não são apenas as relações de trabalho que se busca revelar, mas todo o complexo subjetivo que mobiliza coletivos e redes à colaboração. Para Negri, o capitalismo produz uma assimetria fundamental que o faz pirata de seus pretensos piratas, e se organiza a partir das formas de resistência que a ele se apresentam, onde a única saída é o desvio, “a compreensão do real”, “quando a potência intelectual se combina com a capacidade de transformação.”  Quando se pergunta sobre as relações de socialidade do FdE a abordagem biopolítica quer sobressair nas análises, sem seguir, porém, os rastros de desvios concretos promovidos localmente em relações sociais dentro de um novo campo produtivo, que não apenas reproduz velhas formas, mas as inventa com as ferramentas de que dispõe.
Eis talvez o sentido deste breve artigo: apontar que a adoção da velocidade “pós-rancor” não se situa apenas em um processo alienador de exploração do trabalho, mas antes provoca também uma nova abordagem epistemológica, revelada em uma junção híbrida composta do humano e da técnica, que produz novos arranjos, escapando às oposições clássicas entre natureza e cultura, indivíduo e sociedade. Trata-se de tentar dar conta de operar além de um modo de funcionamento da teoria que toma os fatos como dados universais e as ideias sobre estes variantes, como defendido pela antropóloga Marylin Strathern (“I wish to demonstrate how ideias behave”) em seu livro After Nature, de 1992. Quero dizer então de uma crítica ao instrumentalismo sobre a técnica, que separada do humano, lhe surge como fonte de dominação, em uma disposição de poder que poderíamos considerar análoga à capacidade de captura do capitalismo. Assim como precisamos da natureza para sobrepor nossas relações biológicas de parentesco (por mais que avancem a reprodução assistida e o melhoramento genético já em embriões) continuamos vivendo sob a premissa de transmissão de propriedade por laço consanguíeno, oriundo de pai e mãe. Mesmo diante da habilitação a novos desejos com a técnica, sua função permanece teoricamente limitada muitas vezes a abordagens pós-natureza, como sobre um fato em “si”, quando tudo na verdade teria sido em algum momento inventado… O pós é, na verdade, o sempre behind, como se o futuro estivesse sempre ali pronto a ser superado por um novo fato da natureza, uma nova descoberta ou controle sobre uma potência da natureza… é o futuro imaginário que já foi (Barbrook 2009), como os cálculos de extração de petróleo em um mundo de aquecimento global.
Ao teorizar sobre o comum,  “na esteira do marxismo operaísta, da filosofia da diferença e da antropologia canibal, [como]  uma organização política das relações produtivas e materiais” o texto aponta possibilidades, mas não caminhos ou práticas: o comum está no ponto de partida.
Mas, afinal, onde está essa tal “ocupação intensiva do espaço e do tempo”, que afirma o comum como “necessariamente antagonista”?
O comum como prática política, ao contrário, me parece forte se necessariamente ambíguo: não havendo como sabotar o comum, e sempre correndo-se o risco de captura pelo capitalismo, são os piratas os que ainda melhor representam o desvio possível da conduta subjetiva programada para o mercado (o compartilhamento de arquivos protegidos por direitos autorais). Como forma de expressão, utilizam software de criptografia, esteganografia, dando nova forma para a noção de troca, dada a condição abundante de circulação de riquezas imateriais.  A alternativa de um hardware livre e pela banda larga nada operam contra a vigilância dos provedores-delatores, sendo consideradas obsoletas por aqueles que investimos em tecnologias do comum, que permitem a apropriação e comunicação comum: estamos na iminência de decidir sobre a tecnologia de rádio digital que vigorará nos próximos 50 anos e a crítica é after Fórum de Mídia Livre, pós-exploração 2.0.
 
O mediativismo, como nos lembra Bifo, “não propõe um uso alternativo das medias no sentido do conteúdo: trata-se antes de curta-circuitar o meio no nivel de sua estrutura, dentro de seu sistema de funcionamento linguístico, tecnológico, de se atacar aos agenciamentos, às interfaces, de reagenciar e de refinalizar o dispositivo, e não somente o conteúdo que ele produz” (Bifo: original em francês). Ainda que pontuando formas subsumidas ao capitalismo, a exploração 2.0 e comum precisam de uma crítica que, de um ponto de partida comum (a liberdade!) sejam capazes não apenas de produzir “seu conteúdo”, mas agenciar processos e expressões que habilitem a tomada generalizada da palavra, em sintonia com a voz que ecoa cada vez mais nas praças e ruas, aproximando um contingente de desempregados a antigas utopias de igualdade e humanismo, mesmo quando esse não mais possui as mesmas bases teóricas para se produzir como teoria, mesmo que cordeiros ainda não tenham ganhado a força de predar como leões.

 

A Raiva e a Esperança: GlobalRevolution

Giovedì 20 Ottobre 2011 17:44

Dietro il passamontagna del 15 ottobre

Por detrás do passamontanha do 15 de outubro

Para que servem as suas convicções? Talvez para convencer os blocos negros – homens negros – a serem mais flexíveis? Blindando as manifestações pacíficas fazendo-as se proteger com cordões de segurança prontos para bater em qualquer um que se desvie das suas direções, do seu manual de comportamento – até aqui pode estar com raiva, ali não, não está bem, [afastando-nos de Scalfari e Cazzullo?] Que um movimento faça barricadas e depois chame a polícia para retirá-las – como dizia Marx sobre os alemães – é uma coisa contra a natureza.

Que um movimento tente construir simpatia e consenso em torno de seus temas é não apenas legítimo como desejável, que um movimento apresente uma opção de mudança radical não é apenas legítimo como desejável.

O tumulto não vem de Marte, não é um complô organizado de uma minoria de fascínoras. Está nele nossa distorção visceral. É o buraco negro da política, o colapso da matéria. Mas está no nosso universo.

É que se mede o desafio de uma política de mudança, na transformação da raiva em esperança, em dar à raiva uma esperança.

Roma_15ott

Che un movimento provi a costruire simpatia e consenso intorno ai suoi temi è non solo legittimo ma auspicabile, che un movimento ponga un’opzione di cambiamento radicale è non solo legittimo ma auspicabile.

Il tumulto non viene da Marte, non è un complotto organizzato da minoranze di facinorosi. È nelle nostre attorcigliate viscere. È il buco nero della politica, il collasso della materia. Ma è nel nostro universo.

È qui che si misura la sfida di una politica del cambiamento, nel trasformare la rabbia in speranza, nel dare alla rabbia una speranza.