Category Archives: acesso à cultura

Manifestação Contra a Rede Globo

  • sábado, 17 de Março de 2012
  • 12:00 até 16:00
  • No Rio de janeiro
    Rua Von Martius, 22 – Jardim Botânico
    Concentração: Jardim botânico esquina Pacheco Leão, ponte de tábuas.

    SÃO PAULO: http://www.facebook.com/events/331444253567180/
    BELO HORIZONTE: http://www.facebook.com/events/392487284101936/?context=create
    SALVADOR: http://www.facebook.com/events/236597586429663/

    Objetivos

    • Curto prazo: Iniciar um processo de desmistificação desta emissora (e da grande mídia em geral) como fonte confiável de informação para a população;

    • Médio e longo prazo: fazer deste protesto apenas o primeiro de muitos, em conjunto com os diversos movimentos e coletivos do país, para forçar os grandes grupos da mídia a pautarem suas diretrizes pela ética e imparcialidade jornalística.

    Diretrizes

    • Protesto Apartidário: Para que a mídia não rotule e desqualifique a manifestação;

    • Os coletivos e pessoas autônomas que participarem terão autonomia para utilizarem quaisquer recursos que julgarem interessantes para alcançar os objetivos do protesto.

A Mídia Livre e o Comum

Faz dois dias, publicaram no site da Universidade Nômade um artigo interessante intitulado “O Comum e a Exploração 2.0”.

O texto inicia com uma crítica ao III Fórum de Mídias Livres, assumindo sua organização como diferente das outras duas edições, onde “não só [se] debateu horizontalmente, como [se] contribuiu para a formulação de uma frente transversal de construção para as novas mídias livres e/ou redes colaborativas. O que se traduziu, por exemplo, na política dos Pontos de Mídia Livre”. Já esse último Fórum teria sido um evento “pré-formatado e pré-pautado”.
 
 
Não sei quanto a vocês, mas se vou a um evento, gostaria sim de saber previamente qual o formato (mesas de discussão, desconferência, rodas, oficinas…) e, claro, ter os assuntos a serem debatidos previamente publicados: trata-se de organização, não imposição como quer fazer parecer o texto. Ademais, os temas escolhidos contemplaram discussões correntes em várias listas e buscaram dar vazão às diferentes experiências de democratização da comunicação, abrangendo desde a luta tradicional por acesso e produção de conteúdo independente à emergente convergência que um protocolo técnico de redes pode possibilitar para o trabalho colaborativo. O debate aconteceu pra quem esteve lá, e também foi transmitido parcialmente pela Internet.
 
 
O artigo segue citando um email “vazado” de uma liderança do coletivo Fora do Eixo para acusar a organização do III FML de “centralizadora”. Contesta a legitimidade do Grupo de Trabalho Executivo de Mídia Livre estabelecido no último fórum, a ausência de comunicação em uma lista de discussão (forum-de-midia-livre@googlegroups.com) e a participação de Pontos de Cultura e hackers na construção do encontro como determinantes para ter “camufladas a hierarquização e a fragmentação por meio da mística do consenso”… Críticas contundentes que até surgiram no espaço do III FML, mas jamais fizeram parte da referida lista de “midialivristas” que, na verdade, não funciona, não promove debate algum, nem recebe ou recebeu qualquer contribuição dos “intelectuais” da Universidade Nômade para a “construção da mídia livre no Brasil”. Se houve esvaziamento da interface burocrática Estado-Mídias Livres, talvez se devesse apontar as condições reais de que dispõem os “midialivristas” para utilizarem recursos públicos para se encontrarem e promoverem suas políticas. Tomar o resultado por origem do problema não me parece a melhor forma de análise sobre o III FML.
O texto é curioso: ataca a burocracia para burocratizar qualquer processo de constituição das mídias livres. Afirma: “Diante disso, vale a pena problematizar o estado do processo de constituição de “mídias livres” e mais em geral o movimento da “cultura” de resistência à restauração no MinC”. Mas afinal, de que mídia livre e que “cultura de resistência” estão falando?
A mídia livre, no Brasil, tem raízes espalhadas em cada canto onde funciona uma rádio livre ou comunitária sem concessão do Estado, lá onde se estão derrubando sites de prefeitura, onde tem um camelô ganhando o seu… A mídia livre que se constituiu como política pública não contempla 1% das  iniciativas de comunicação livre e compartilhamento de arquivos entre redes em plena operação no Brasil. E, ainda que autogeridas e autônomas, essas iniciativas pairam sobre os planos organizados de demandas enquanto Públic0-Não-Estatal, não havendo necessidade de qualquer tutela “intelectual” sobre o que é ou não a construção do comum para esses coletivos auto-determinados.  Tal como apresentada, a crítica ao modelo de organização de um evento como um Fórum – se baseada em “emails” pontuais vazados, e negando-se à participação em plenária, aberta e democrática – soa desonesta e imatura. O Fórum Mundial de Mídia Livre está previsto para acontecer no Rio e deve sim ter sua organização contaminada com os novos processos e lutas sociais, sem o quê estará se expondo à tomada súbita da palavra pelos que têm algo a dizer, direta e concretamente, sobre a forma que se propõe o evento e sobre o conteúdo do que realmente os coletivos/organizações querem colocar em disputa. Mas isso tudo na ágora, no falar de pronto, sob o impulso de quem se levanta (stand up), não como quem é acordado (wake up)…
O texto segue se propondo a criticar o Fora do Eixo, apresentando um debate já bastante conhecido entre as redes de ativismo anti-capitalista. Sob a máxima “quem tá junto tá junto” a forma “empreendedores 24h” seduz como uma alternativa (liberal) de vida, onde o reconhecimento e o crédito operam como nos velhos esquemas das pirâmides de negócio para acúmulo de poder. Mas até onde alcança a teoria crítica sobre esse tufão revolucionário?
Argumenta-se que  FdE é uma experiência radical de transformação do cotidiano, onde os coletivos organizados e autônomos têm mantido suas próprias residências coletivas, alimentação compartilhada, chegando mesmo a terem sua própria moeda de troca. Um processo aberto e em permanente construção cujo horizonte seria a emancipação e a busca de relações mais humanas entre as pessoas.
O caráter ambíguo do FdE, ao contrário das críticas que lhe são desferidas, pontuaria também uma possibilidade de atuar dentro do sistema capitalista almejando relações alternativas às capitalistas, o que poderia lhe conferir lastro em uma filosofia política da pirataria. Porém, de acordo com o texto, o futuro do “pós-rancor” é despolitizado quando se submete à velocidade mercadológica produtiva, valendo-se relações de exploração de trabalho voluntário para atribuir o que chamarei de identidade/pertencimento à forma dominante de socialidade no FdE. Mesmo autônomos, os coletivos locais reproduzem a mesma habilidade de gestão/improviso típicas da chamada nova cultura capitalista (R. Sennet), adaptando novas hierarquias que facilitam a incorporação desses valores como centrais em suas experiências compartilhadas. Verdadeiros “espertos ao contrário”, diria  Estamira, seu trabalho quer ser adaptado e resistente aos novos negócios capitalistas, mas talvez sujeito às mesmas mazelas de controle e submissão ao sistema produtor de desigualdades.
Em uma entrevista de 2008, Toni Negri afirma:
“quando dizemos que nos encontramos hoje em uma sociedade pós-moderna ou pós-fordista, estamos afirmando algo [bastante] preciso, a saber, que os meios de produção se modificaram, as formas de ação se transformaram, e que é necessário então desviar (détourner) as potências de resistência. Mas a primeira coisa a fazer nessa situação é aceitar essa realidade. Saímos da ilusão segundo a qual seria possível [p.565] modificar o mundo a partir da literatura, da tradição ou das formas sociais antigas. Essas novas formas de resistência, é preciso inventá-las. É preciso então desviar todos os instrumentos dos quais dispomos para esse fim.” (“Entretien avec Ton Negri”, Rev. Critique, 2008, 735-36, p.566).
Assim, ao assumir uma crítica aguda sobre a exploração 2.0, não são apenas as relações de trabalho que se busca revelar, mas todo o complexo subjetivo que mobiliza coletivos e redes à colaboração. Para Negri, o capitalismo produz uma assimetria fundamental que o faz pirata de seus pretensos piratas, e se organiza a partir das formas de resistência que a ele se apresentam, onde a única saída é o desvio, “a compreensão do real”, “quando a potência intelectual se combina com a capacidade de transformação.”  Quando se pergunta sobre as relações de socialidade do FdE a abordagem biopolítica quer sobressair nas análises, sem seguir, porém, os rastros de desvios concretos promovidos localmente em relações sociais dentro de um novo campo produtivo, que não apenas reproduz velhas formas, mas as inventa com as ferramentas de que dispõe.
Eis talvez o sentido deste breve artigo: apontar que a adoção da velocidade “pós-rancor” não se situa apenas em um processo alienador de exploração do trabalho, mas antes provoca também uma nova abordagem epistemológica, revelada em uma junção híbrida composta do humano e da técnica, que produz novos arranjos, escapando às oposições clássicas entre natureza e cultura, indivíduo e sociedade. Trata-se de tentar dar conta de operar além de um modo de funcionamento da teoria que toma os fatos como dados universais e as ideias sobre estes variantes, como defendido pela antropóloga Marylin Strathern (“I wish to demonstrate how ideias behave”) em seu livro After Nature, de 1992. Quero dizer então de uma crítica ao instrumentalismo sobre a técnica, que separada do humano, lhe surge como fonte de dominação, em uma disposição de poder que poderíamos considerar análoga à capacidade de captura do capitalismo. Assim como precisamos da natureza para sobrepor nossas relações biológicas de parentesco (por mais que avancem a reprodução assistida e o melhoramento genético já em embriões) continuamos vivendo sob a premissa de transmissão de propriedade por laço consanguíeno, oriundo de pai e mãe. Mesmo diante da habilitação a novos desejos com a técnica, sua função permanece teoricamente limitada muitas vezes a abordagens pós-natureza, como sobre um fato em “si”, quando tudo na verdade teria sido em algum momento inventado… O pós é, na verdade, o sempre behind, como se o futuro estivesse sempre ali pronto a ser superado por um novo fato da natureza, uma nova descoberta ou controle sobre uma potência da natureza… é o futuro imaginário que já foi (Barbrook 2009), como os cálculos de extração de petróleo em um mundo de aquecimento global.
Ao teorizar sobre o comum,  “na esteira do marxismo operaísta, da filosofia da diferença e da antropologia canibal, [como]  uma organização política das relações produtivas e materiais” o texto aponta possibilidades, mas não caminhos ou práticas: o comum está no ponto de partida.
Mas, afinal, onde está essa tal “ocupação intensiva do espaço e do tempo”, que afirma o comum como “necessariamente antagonista”?
O comum como prática política, ao contrário, me parece forte se necessariamente ambíguo: não havendo como sabotar o comum, e sempre correndo-se o risco de captura pelo capitalismo, são os piratas os que ainda melhor representam o desvio possível da conduta subjetiva programada para o mercado (o compartilhamento de arquivos protegidos por direitos autorais). Como forma de expressão, utilizam software de criptografia, esteganografia, dando nova forma para a noção de troca, dada a condição abundante de circulação de riquezas imateriais.  A alternativa de um hardware livre e pela banda larga nada operam contra a vigilância dos provedores-delatores, sendo consideradas obsoletas por aqueles que investimos em tecnologias do comum, que permitem a apropriação e comunicação comum: estamos na iminência de decidir sobre a tecnologia de rádio digital que vigorará nos próximos 50 anos e a crítica é after Fórum de Mídia Livre, pós-exploração 2.0.
 
O mediativismo, como nos lembra Bifo, “não propõe um uso alternativo das medias no sentido do conteúdo: trata-se antes de curta-circuitar o meio no nivel de sua estrutura, dentro de seu sistema de funcionamento linguístico, tecnológico, de se atacar aos agenciamentos, às interfaces, de reagenciar e de refinalizar o dispositivo, e não somente o conteúdo que ele produz” (Bifo: original em francês). Ainda que pontuando formas subsumidas ao capitalismo, a exploração 2.0 e comum precisam de uma crítica que, de um ponto de partida comum (a liberdade!) sejam capazes não apenas de produzir “seu conteúdo”, mas agenciar processos e expressões que habilitem a tomada generalizada da palavra, em sintonia com a voz que ecoa cada vez mais nas praças e ruas, aproximando um contingente de desempregados a antigas utopias de igualdade e humanismo, mesmo quando esse não mais possui as mesmas bases teóricas para se produzir como teoria, mesmo que cordeiros ainda não tenham ganhado a força de predar como leões.

 

Fórum de Mídia Livre, Porto Alegre

E na correria de sempre, fui convidado a ministrar uma oficina de rádio durante o evento Conexões Globais na sexta 27, e participei também do III Fórum de Mídia Livre, onde defendi o padrão de rádio digital DRM. Na plenária final, me dispus a colaborar no grupo de formação da Mídia Livre e em breve publico material.

Os eventos foram ótimos para reencontrar velhos amigos e conhecer a bohemia de Porto Alegre em 7 dias intensos, escrevendo meu mestrado e articulando projetos futuros, que envolvem a fabricação de cerveja, performances esquizofônicas, mais ofurô e a luta por um sistema brasileiro de rádio digital decente. A poesia me re-volta, me respira e rizoflora sob o sol que irradia. Forno Alegre, vou morrer de saudades!

O prof. Bruno subiu um videozinho da oficina, pra mandar o link do tutorial de webradio…

Mendigos Piratas Videntes

um texto que se desdobra,

25DEC2011

by fabiborges

Texto sobre cultura digital no Brasil, condicao de mendicancia via editais e pedidos de verba, sobre tecnoxamanismo, etc.

O texto esta disponivel aqui: mendigos piratas videntes-fabiborges-thiago novaes

Cristina Ribas deu esse texto para seus alunos em Artes Visuais na UERJ, pediu para que escrevessem textos sobre esse texto, sobre o que lhes suscitava, a resposta esta aqui:

Mendigo, por Barbara Bandini
Mendigo:

João Da Silva: Advogado, 56 anos, trabalha atualmente na DIC – defesa dos Interesses da Coletividade e a mais de 20 anos esta submerso em burocracia e interesses obscuros. Hoje como presidente deste grupo praticamente já se esqueceu do seu real significado/objetivo, ele gosta de estar sempre na liderança dos outros grupos, garantindo assim um maior apoio financeiro para seus projetos que já não condizem mais com o que foi outrora. Seus projetos agora tem outras prioridades, tem que atender além dos muitos interesses dos patrocinadores o de promover ainda mais o nome de sua “empresa” garantindo reconhecimento e popularidade para a mesma, para que assim esta possa estar sempre a frente, sempre com poder politico para promover mais projetos, projetos esses que perderam grande parte do seu significado exatamente por agora atenderem a interesses não mais em prol da coletividade mais a favor de uma minoria privilegiada que sempre controlou tudo e que fará de tudo para que continuar assim, abrindo mão do minimo possível para agradar o povo e se manter no poder.

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Por BIANCA LASSÉ ARAÚJO

REDAÇÃO SOBRE O TEXTO “MENDIGOS PIRATAS VIDENTES”

O PIRATA

Gustavo era estudante do ensino médio quando começou a participar do movimento estudantil através do grêmio de que fazia parte.

No início, ele acreditava que poderia transformar as coisas através de sua ação, entretanto, o tempo deixou tudo mais claro e ele começou a perceber que no movimento estudantil havia mentiras e acordos em troca de favores.

Mesmo não concordando com algumas coisas, ele foi ficando quieto, afinal, ele também fazia parte do movimento. E toda a vontade de lutar pelo bem coletivo foi se esvaindo. E assim, começou a ficar envolvido com lutas pelo poder.

Enquanto lutava por um cargo no movimento, seus discursos e seu modo de agir foram se modificando. Tornara-se egoísta, uma pessoa individualista e inconfiável pois migrava para o lado que fosse melhor a seus interesses. Foi afetado pela ganância, aliando-se a qualquer um que pudesse trazer mais lucro e poder.

Gustavo tinha a aparência de uma pessoa comum, diferente daqueles homens barbudos de cabelos grandes, com espada, perna de pau, tapa-olho e um papagaio no ombro. Só tinha um ponto em comum com os piratas dos filmes: o caráter. Passava informações confidenciais, vivia da apropriação de ideias dos outros, do roubo e da cópia.

Em pouco tempo de acordos sujos e negócios roubados, ele conseguiu um cargo passando por cima de todos. Já não tinha mais amigos, só acordos políticos. Ele já não dizia que ia mudar nada a favor de ninguém, só pensava no poder e em outro cargo que poderia alcançar.

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Por Elizeth Pinheiro da Silva

Pirata

Seguindo o conceito de piratas descrito no texto Mendigos Piratas Videntes de Fabiane Borges e Thiago Novaes, criei um personagem onde ele copia as obras de artes vende estas cópias pelo valor do custo acrescido 10%, com o intuito de popularizar as obras de arte.
Senhor X é um homem de muitas habilidades artísticas. Ele fazia suas obras de arte e vendia as mesmas em uma feira de rua que ficava a beira de uma praia na zona sul do Rio de Janeiro. Senhor X sempre freqüentava exposições e vernissages que aconteciam no circuito de arte do Rio e ficava sempre constrangido com o valor cobrado pelas obras que ali eram comercializadas, por estarem dentro de uma instituição, e não em uma feira popular. Certo dia ele resolveu copiar obras eu ele acabara de ver em uma das vernissages que ele freqüentou. Escolheu a obra que estava sendo vendida pelo maior valor. Esta obra estava estampada no convite virtual da exposição.
Determinado, Senhor X começou a trabalhar em cima daquela obra caríssima e não parou enquanto não havia terminado sua cópia. Quando terminada, senhor X percebeu que o esforço gasto naquela obra nada diferia das obras que ele mesmo fazia e vendia a um valor incrivelmente menor na feira. Senhor X sabia também que o público que comprava suas obras não tinham condições financeiras para comprar aquela exposta na galeria. Então, qual a diferença entre o meu público e o público de uma conceituada galeria de arte, senão somente o recurso financeiro? As pessoas que compravam na galeria eram mais humanas que as da feira popular? Então senhor X passou a copiar as obras de arte mais caras e badaladas das exposições do circuito carioca e as colocou para vender na feira onde ele vendia suas obras. As obras que o senhor X só não eram cópias perfeitas porque ele não copiava as assinaturas dos artistas, e sim as assinavam com a sua própria assinatura, pois segundo ele, aquelas obras não eram as dos artistas institucionalizados, e sim daquele simples artista feirante.
O valor que ele cobrava pelas obras copiadas era o valor do custo dos materiais e mais 10% deste valor. Com isto, ele observou que o público não gostava mais daquelas obras copiadas que as obras de arte deles. Isto somente acontecia quando algumas pessoas haviam ido à exposição e reconhecia ali os quadros lá expostos.
Senhor X acabou sendo denunciado e processado, porém como ele não copiava as assinaturas dos artistas, ele alegou que aquelas apropriações era o seu trabalho artístico. Este evento foi divulgado por várias mídias e o senhor X foi contatado por várias galerias que ficaram interessadas em seu discurso e seus trabalhos plásticos, porém, senhor X preferiu manter seus princípios e continuar a vender suas obras a preços muito abaixo das obras institucionalizadas, porém após este episódio, suas obras de arte passaram a ser vendidas quase instantaneamente. Muitas pessoas que compravam nas galerias passaram a freqüentar a feira também, porém muitos outros continuaram a não achar válidas as obras vendidas numa feira de rua, julgando os artistas que lá expunham seus trabalhos menos qualificados que os artistas institucionalizados, assim como suas obras serem de menos qualidade.

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Pequeno roteiro de personagens imaginários a partir da leitura do texto: “Mendigos Piratas Videntes”

por Dally Schwarz

SISTEMA ONIPRESENTE SOCIAL (SOS)

CATEGORIA DOS CIDADÃOS
A- Indivíduo normativo
B- Indivíduo desviante
C- Indivíduo perigoso

FICHA DE CONTROLE DE INDÍVÍDUOS PERIGOSOS

B001


Nome: Chappa
Idade: 24
Nacionalidade: do mundo
Dia do nascimento: O dia em que fugiu da casa de sua mãe
Dia de morte: todo dia é um dia de morte
Ideal: tudo de gratis
Local que mora: Morro da Província
Atividade: poeta de rua
Tipo sanguíneo: tipo ruim
Status social: parasita
Remuneração: esmola
Contribuição social: não pra essa sociedade
Religião: ateu, graças a Deus!
Etnia: preto

Informações inclusas pelo SOS:
O indivíduo B001 já teve passagem muitas vezes pela a polícia do sistema de controle e apresenta comportamento de desacato as autoridades. Porta imagens e uma aparência violenta, com informações consideradas ilegais e imorais para a sociedade.
Atualmente responde em liberdade por denúncias de atividades de pirataria de mercadorias e informação.

B002

Nome: Maccará
Idade: 17
Nacionalidade: 18°00′S46°30′W
Dia do nascimento: está sem a carteira de reconhecimento
Dia de morte: pressente que ainda é jovem
Ideal: poder visitar sua cidade na Zona N
Local que mora: abrigo
Atividade: catador de latinhas
Tipo sanguíneo: não sabe.
Status social: solteiro
Remuneração: por latinha
Contribuição social: já é descontada na remuneração
Religião: crente
Etnia: brasileiro

Informações inclusas pelo SOS:
O indivíduo B002 possui distúrbios mentais evidenciados pelos centros de saúde médica do sistema social e também passagem por abrigos para cidadãos sem moradia, com fichas que evidenciam agressões a outros indivíduos. Não possui moradia, e seu registro de catador de latas está vencido. O indivíduo B002 ainda não procurou o SOS para atualizá-lo.

B003

Nome: Bella
Idade: 30
Nacionalidade: 18°00′S46°30′W
Dia do nascimento: o dia em que morri
Dia de morte: o dia em que nasci
Ideal: anarco socialista
Local que mora: ocupação Flores do Mal
Atividade: tecnoartista e contorcionista
Tipo sanguíneo: pitta
Status social: mangueio
Remuneração: freelances
Contribuição social: trabalha em um ponto de cultura autônomo
Religião: agnóstica
Etnia: parda
Informações inclusas pelo SOS:
O indivíduo B003 auxilia baderneiros em atividades ilegais, tais como invasão de prédios, manifestações públicas de grupos de esquerda. Tem suspeitas de pertencer a algum grupo intelectual de guerrilha de informação contra o sistema social. Necessita de controle na sua identificação serial para uso de sistemas de informação e internet.

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O carregador de restos

Por René Gaertner

Vivia do ofício de recolher. Sobras, excedentes, restos. E carregava-os. Restos materiais de algum objeto humano. Um enlatado constituído por artérias e veias, um gasto motor movido à propulsão sanguínea. Rodas e pedais de couro cru. Canais cartilaginosos vazios, lanternas riscadas. Arrastava-os pelo caminho, um volume cada vez maior e mais pesado. Aos poucos, nem recolhia mais. Carregava e ia arrastando o que encontrava pelo caminho. Aos poucos, carregador e restos não mais se destinguiam. Somente uma grande massa, um volume de cores e pernas andando pelo caminho. Um volume de olhos e cabeça. Uma grande massa de restos se erguendo pelo caminho.