IV Internacional do

A ionosfera se localiza entre 60 km e 1.000 km de altitude, e é composta de íons, plasma ionosférico. O efeito ocasionado por inúmeras camadas sucessivas de ionização leva à reflexão das ondas de rádio.

reflexao_ionosfera

 

 

 

 

 

 

IonosferaFomos de carro: a pé levaríamos muita gente. O pedágio caríssimo, a moto acidentou-se e o trânsito parou por meia-hora. Fugimos. Na estrada de terra arrebentou o amortecedor, sem dor nenhuma, nos preparamos para a longa subida, mas embarcamos na nau branca 4×4 faltando 1 minuto. Ainda era dia. Monta barraca, amarra rede na mangueira, desacelera e reina. O tempo todo é um só tempo, logo se encerra. Sorrisos, boas tardes pessoal. Chegamos à IV internacional.

Zero_Real

Depois de dois dias, pouco me resta para registrar além do que já me impregnou em minha ezcuta atenta, reverberando em palavras simples, de nosso guia transestrelar, poeta dos sete mares, inusintético do real.

Não sei se todas as vozes que eu falo são minhas
ou se elas apenas passam por mim como fumaça
mas sei que tudo meu agora tem esse cheiro
meus cabelos cheiram à fumaça
minhas unhas e meus pelos também
minhas roupas, lenços e casacos
meu corpo
tudo agora cheira à Fumaça.

Foi num tempo sem tempo que vi o pai sobre a cabeça do escorpião e a mãe
habitando o mundo abissal dos peixes…

Vivemos noites frias mas a sauna era a presença de quem estava ao lado
e em círculos desenhados em papéis transparentes vimos a possibilidade da
vida
a perspectiva do caos e do deslimite,
ouvimos vozes das cidades intraterrenas, e das ondas longas dos pastores
anarquistas…
Mas no brilho dos astros e dos lábios é que pudemos ler essa profecia,
óbvia e tenaz que corre pelas veias do mundo des-capital:

Não haverá possibilidade de reproduzirmos como corpo
o que seria a era planetária do “antropos”, porque nesse antro não entramos
porque somos livres e renovadas
refeitas pelos fluxos livres da linguagem do amor ao tato e às tetas
não aos tetos.
(eternos à Terra terna, e não à ternos e enterros)

Os que ainda virão verão os espectros livres de seres fantásticos
que dançam no sol, choram na viola, cavalgam unicórnios e dão suas mãos aos
bois
e se alimentam de mel, paçoca e das mais ricas iguarias.
Suas cores foram registradas pelos olhos de insetos voadores
e agora se projetam nos véus de água corrente em precipícios sagrados.

Ainda nesta década haverá um chuva de estrelas
todos os balões cairão, e as luzes apagarão com a água que lavará tudo.
Subiremos as montanhas e celebraremos novamente o fim do limite de papel e
metal.
E quando tudo tiver passado, os desejos habitarão um único peito
que tem seios e habita o centro galáctico
em todos os lugares ao mesmo tempo agora.
O tesão da vida pela vida num espaço de nebulosa terráquia.
Assim somos.

—- com amor e gratidão
Ç

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